Mesa Redonda #2

Girl Boss

NUMA ALTURA EM QUE A EMANCIPAÇÃO FEMININA VOLTA A ESTAR NA ORDEM DO DIA, O PFM CONVIDOU LUÍSA CATIVO, DIANA MATINS E VÂNIA GONÇALVES PARA UMA CONVERSA INFORMAL SOBRE O DESENVOLVIMENTO DESTA TENDÊNCIA EM PORTUGAL. ELAS SÃO INDEPENDENTES, CRIATIVAS, EMPREENDEDORAS E, ACIMA DE TUDO, SUPERMULHERES. REPRESENTAM DIFERENTES GERAÇÕES, PERCURSOS E ESTILOS DE VIDA E PARTILHAM HISTÓRIAS E OPINIÕES SOBRE A DESIGUALDADE DE GÉNERO NA NOSSA CULTURA, NAS NOSSAS EMPRESAS E NAS NOSSAS FAMÍLIAS. SEJAM BEM- VINDOS À SEGUNDA MESA REDONDA.
Texto por Eliana Macedo - PFM Team Member
Opinião Mesa Redonda
Quinta, 23 de Julho de 2015, 11:31h

Começamos pelas apresentações. Luísa Cativo é designer de moda, fotografa, entusiasta das artes visuais e um dos reconhecidos rostos por trás da Thug Unicorn, uma das festas mais acarinhadas da cidade. Durante a conversa conta-nos que, nesta quinta edição, se junta à organização da Marcha das Galdérias, por acrediar que “a rua deve ser segura para todos”.

 

Luísa Cativo ©  Sofia MIranda

Para Vânia Gonçalves, a luta contra o preconceito começou cedo, quando assumiu a convição de ser Engenheira Informática. Contra tudo e contra todos, conseguiu. Mas a luta por ser quem é, continuou ao longo de toda a vida. Apesar do seu percurso profissional ter começado por uma das maiores empresas nacionais, sentiu a necessidade de se despedir para evoluir profisisonalmente. Depois de se especializar em Políticas Tecnológicas e de trabalhar vários anos em Bruxelas - de onde foram importados os Girl Geek Dinners - regressa a Portugal e volta a prosseguir os estudos. Aos 36 anos, é mãe, professora e um exemplo de coragem.

 

Vânia Gonçalves ©  Sofia MIranda

Engenheira Industrial e de Gestão, com apenas 25 anos e um início de carreira numa das maiores empresas nacionais, Diana Martins é co-fundadora das w/sessions, sessões informais dedicadas a reflectir sobre o futuro profissional e partilhar experiências, sonhos e aspirações no feminino.

É precisamente Diana Martins que dá início à conversa. “Em Portugal, apenas 16% dos cargos de topo são ocupados por mulheres”, comenta, dando ênfase à necessidade de equilibrar esta desigualdade.

 

Diana Martins  ©  Sofia MIranda

“Há mais de um século que as mulheres estão no mercado do trabalho e continuam a receber salários significativamente menores e que mais parecem complementos ao salário dos homens”, comenta de imediato Luísa Cativo. Para Vânia Gonçalves, a desigualdade no mundo laboral começa logo ao pensarmos que “a licença paternidade é bastante inferior à de maternidade”.

Pela sua experiência, Vânia Gonçalves acredita que “a mulher tem que ser mais do que a sociedade espera”. Foi por isso que, quando descobriu que estava grávida, percebeu que estaria na hora de se despedir do trabalho, procurando uma figura feminina para comunicar a situação. A resposta foi surpreendente para Vânia. Ter um filho não significaria que teria de abdicar do seu posto de trabalho na empresa. Um exemplo de boa conduta no mercado de trabalho, diz Vânia, que conhece muitos casos de mulheres que foram despedidas ou cujos contratos não foram mais renovados pelo mesmo motivo.

 

©  Sofia MIranda

“As mulheres não são criaturas misticas que têm que ser a super profissional, a super mãe e a super dona de casa”, brinca a DJ e designer de moda, justificando que “basta que sejam a melhor versão de si próprias, porque é impossível ser tudo aquilo que a sociedade espera que a mulher seja”.

Em paralelo, Luísa Cativo relembra que, mesmo nos dias que correm, “um homem que fique em casa a cuidar do filho e das tarefas domésticas, é completamente emasculado pela sociedade”.

 

©  Sofia Miranda

No mesmo dia em que decorreu esta mesa redonda, a Marcha das Galdérias, versão portuguesa da Slut Walk, saiu às ruas do Porto pela autodeterminação sexual, pelos direitos sobre o próprio corpo e pelo fim da culpabilização das vítimas. 

O desfile começou com um piquenique, aberto a todos, onde se fizeram os cartazes e se lançaram as palavras de ordem. Durante a organização desta marcha, foram muitos os testemunhos com que Luísa Cativo contatou. Foi assim que descobriu que, apesar da descriminação acontecer em todas as classes, sexos e idades, os primeiros sinais de abuso surgem ainda durante a infância ou adolescência.

Ou porque os meninos gostam de brincar com brinquedos de meninas, ou porque as raparigas se vestem de forma considerada ‘demasiado provocadora’, ou porque os rapazes percebem atração por pessoas do mesmo sexo, ou mesmo porque ainda se faz a distinção entre ‘tarefas de homem’ e ‘tarefas de mulher’.

 

©  Sofia Miranda

Queres continuar esta conversa e acompanhar o desenvolvimento destas iniciativas? Aqui fica o convite para participares nas próximas sessões de enpowerment feminino W/sessions e Girl Geek Dinners e para te divertires na próxima festa lgbt friendly Thug Unicorn