Reboot Fashion

Os novos Negócios da Moda

Texto por Ludovic Freitas
Opinião Think Piece
Quinta, 24 de Setembro de 2015, 11:41h

As audiências dos maiores bloggers ultrapassam o número de leitores das revistas atuais e mais de 50% dos processos de compra de moda passam pela internet. É inegável que a forma como se comunica e vende moda, está a mudar drasticamente.

Mas, mais do que trazer novas ferramentas, a internet acelerou a emergência de novos paradigmas:

A oferta de produtos nunca foi tão extensa e variada, em grande parte graças ao e-commerce. O ritmo de novas coleções está mais acelerado do que nunca e, para ganhar visibilidade, as marcas publicam conteúdo constantemente. Entramos na era do over-choice;

Em reação a todo este ruído o consumidor mainstream desaparece, dando lugar a um novo consumidor insensível às ‘marcas do grande público’. Porque acredita que ‘agradar a todos é agradar a ninguém’ e privilegia as marcas com uma personalidade e um estilo afirmados;

As marcas criam os seus próprios meios (ex: Ralph Lauren Mag), os distribuidores 
produzem os seus próprios produtos (ex: ASOS) e os consumidores investem em marcas (ex: Crowdfunding). Já não existem fronteiras.

Ao entramos num novo mundo de novas regras e novos princípios, 
faz sentido continuar a promover e vender moda como antigamente? 


A moda precisa de um reboot e novas marcas mostram como podemos reinventar os modelos de distribuição ou/e comunicação.

Vejamos alguns exemplos:

 

SÉZANE 


© Sézane

A marca parisiense de prêt à porter, que vende exclusivamente pela internet, todos os meses lança uma nova coleção, produzida em quantidades limitadas. O sucesso relaciona-se precisamente com a capacidade de tornar o lançamento de uma nova coleção num evento excitante e esperado por toda a comunidade. Prova disso é que, poucas horas após a divulgação das novas peças, o stock esgota.

 

LONELY

© Lonely

Criada em 2009 na Nova-Zelandia, a marca de lingerie conhece hoje um sucesso mundial e até já recebeu declarações de amor da atriz e realizadora Lena Dunham. Um resultado impressionante para uma marca que não investe em publicidade e marketing. Partindo de uma visão de contra-corrente do mercado, a Lonely posiciona-se como uma ‘anti-Victoria Secret’s’, ao propôr uma alternativa que não dita os padrões de beleza feminina e que é honesta.

 

GUSTIN

© Gustin

Lançada no Kickstarter, onde angariou um financiamento de 450.000$, a Gustin produz jeans para homens que procuram produtos de qualidade, a preços justos. A marca capitalizou na comunidade que começou a construir durante o seu crowdfunding e conservou o mesmo modelo de venda, 100% online e participativo. O consumidor Gustin escolhe o produto que deseja, efetua o pagamento e caso o produto angarie o total do investimento necessário para a produção, recebe o produto. Caso contrário, é reembolsado.

Cada uma destas marcas inventou um modelo de negócio próprio e único, que ignora as regras conservadoras da moda, com base em quatro princípios:

               O ponto de partida é o consumidor. É preciso conhecer a suas aspirações, saber o que ele 
procura e quais são os valores e causas no qual ele acredita;

               Diferenciação é fundamental. No meio de tanta oferta e concorrência, uma marca 
que queira emergir tem que ser diferente e trazer um olhar novo;

               Não vender apenas produtos. Desenvolver um storytelling, um universo visual atraente e 
todo um lifestyle a volta dos produtos é essencial para criar uma marca;

               O consumidor faz parte da marca. O consumidor quer sentir que participa no processo, que pertence a uma comunidade e que é estimado pela marca. 


Estes e outros exemplos, como a Everlane, a Maison Standards, a Warby Parker, a Bonobos, a Nasty Gal ou a Jimmy Fairly, integram uma nova onda de negócios de moda que provam que é preciso pensar diferente para suceder neste novo mundo. 


Estão a espera de quê? Reboot!