Experiências em vez de coisas

Felicidade é criar memórias

Texto por Eliana Macedo - PFM Team
Opinião Think Piece
Quinta, 30 de Junho de 2016, 12:09h

Quando tens que optar entre gastar o teu dinheiro num produto ou numa experiência, o que preferes? Ir a um festival de música com os teus amigos ou comprar aquele par de sapatos que está há meses na tua wishlist? Fazer uma viagem de sonho ou investir numa peça de mobiliário statment para a tua casa? 

Decisões, decisões... 

Os hábitos de consumo registaram alterações profundas nas últimas três décadas. Uma nova geração de consumidores está a valorizar mais do que nunca experiências, em detrimento de investir em bens materiais. Viagens, festivais, atividades ao ar livre, refeições em restaurantes e eventos culturais e artísticos, são apontadas como as atividades preferidas.

O estudo Millennials: Fueling the experience economy, conduzido pela Harris Corporation, concluiu que esta nova geração, entre os 18 e os 34 anos, prefere investir o seu dinheiro em experiências que refletem a sua personalidade e lifestyle. ‘Para este grupo, a felicidade não está focada em bens materiais ou em estatutos de carreira. Viver uma vida feliz e com significado é criar, partilhar e capturar memórias através de experiências’, avança a investigação.

De acordo com o artigo, a percentagem de consumo em experiências aumentou 70% desde 1987. 

 

© Aula de Yoga na Urban Outfitters e Concerto dos Linda Martini no Primavera Sound 2016

 

Enquanto que projetos focados na experiência do consumidor vêem os seus resultados crescer, empresas focadas no produto estão a registar perdas significativas. Atentas à alteração nos hábitos de consumo, as marcas estão a adaptar os seus espaços ao lifestyle do consumidor, oferecendo-lhe atividades que vão muito para além do seu core business.

A Macy’s (que encerrou 40 lojas no início deste ano), por exemplo, está a instalar espaços de cafetaria e a organizar concertos, aulas de yoga e outras atividades relacionadas com os interesses do seu consumidor. Para além disso, está associar-se a festivais de música, como o Coachella, e a produzir coleções especiais tendo em conta a atmosfera vivida no evento e o orçamento médio dos seus visitantes.

O mesmo acontece com marcas como a H&M, a Oysho e a Urban OutfittersOu, no Porto, com a Daily Day, a Marques Soares, a Oficina Café Criativo, a We Came From Space e a Coração Alecrim. A The Feeting Room tem novidades para breve.

 

© Atomic Weekend na We Came From Space e Primavera Sound 2016  

 

Contrariamente, empresas como a Uber e a Eventbriet, focadas na experiência do consumidor e dependentes das recomendações positivas dos seus utilizadores, estão a aumentar o seu volume de negócios. 

A proliferação das redes sociais no nosso dia-a-dia é um dos principais motores desta tendência.

O Instagram, o Facebook e o Snapchat são medias visuais, muito orientados para partilhar em tempo real o que os seus utilizados estão a experienciar.

 

© Coração Alecrim, Lunch at Namban and Brunch at Oficina Café Criativo

 

Thomas Gilovich, professor de psicologia na Cornell University e investigador da relação entre a satisfação e o dinheiro há mais de duas décadas, explica que ‘nós compramos coisas com objetivo de nos fazer felizes, e somos. Mas só durante algum tempo. As coisas novas são excitantes ao início, mas depois adaptamo-nos a elas’ e ‘um dos inimigos da felicidade é a adaptação’, justifica.

As pesquisas de Gilovich revelam que enquanto que, a satisfação dos consumidores com os produtos que compram diminui com o passar do tempo, a satisfação resultante de experiências tende a aumentar e a tornar-se parte integrante da nossa identidade.

O crescimento do Porto enquanto importante destino europeu é motivado, sobretudo, pela acessibilidade e diversidade de experiências sociais, urbanas, culturais e artísticas que a cidade apresenta.

Estas são as nossas recomendações para usufruir dos melhores espaços e serviços nas áreas da moda, design, alojamento, restauração e atividades ao ar livre.