Food x Fashion

Dare to Share

Texto por Inês Graça - PFM Team
Opinião Think Piece
Quinta, 28 de Julho de 2016, 13:07h

Lojas que são restaurantes, menus preparados à medida e concept stores com pavlovas. Os maiores nomes internacionais já servem refeições enquanto vendem peças de roupa.

Moda e gastronomia nunca estiveram tão próximas e ditam o fim das lojas como sempre as conhecemos.

Em junho de 2015, a Burberry inaugurou um dos destinos mais trendy da capital inglesa. “Thomas’s on Regent Street” – um restaurante dentro da própria loja, feito a pensar nos momentos de descanso pós-trabalho. Para Christopher Bailey, diretor criativo da marca, “um sítio onde os clientes pudessem desfrutar do mundo Burberry, num ambiente mais descontraído e sociável”. Poucos meses depois, chega a vez da Ralph Lauren abrir as portas do Ralph’s Coffee na avenida mais famosa de Nova Iorque. E assim sucessivamente - seguiram-se Armani, Gucci, Bulgari e Chanel.

 

© Thomas's Café na Regent Street Burberry Flagship Store

 

Poderão haver várias razões para explicar este fenómeno. A tentativa de criar algo diferenciador nas lojas físicas, dando ao cliente um novo motivo para as visitar, é provavelmente a mais consensual. Joe Pine, autor do best-seller The Experience Economy, acredita que os clientes procuram cada vez mais experiências memoráveis:

“Se enquanto vendedor consegues fazer com que os teus clientes passem mais tempo contigo, naturalmente vão gastar mais dinheiro contigo também.”

Não há como negar – por a conversa em dia no sítio do costume, é sempre bom, mas conhecer sítios onde seja possível fazê-lo depois de uma tarde de compras, é ainda melhor. O Porto também já aderiu a esta tendência – no Mondo Deli é possível provar sabores mediterrânicos, asiáticos e do médio oriente entre peças de design. Mais que uma simples loja e restaurante, o recente espaço é uma verdadeira experiência gastronómica pelo mundo concretizada num ambiente intimista no número 501 da Rua do Almada.

 

©  Miss'opo e Miss Pavlova na Almada 13 

 

Ainda na mesma rua, o Almada 13 parece surpreender – uma concept store alternativa com cinco marcas a serem descobertas que oferece pavlovas para todos os gostos.

Mas há mais exemplos - a Miss’Opo, uma guesthouse com um restaurante bem particular. Ana Luandina, uma das responsáveis, prefere caracterizá-la como uma “experiência na cidade do Porto”. Um espaço genuíno, daqueles que se deixam enriquecer pelos outros e dos que se juntam para viver. Um conceito muito semelhante ao da oficina de Pedro Limão: não há pratos pré-definidos, nem preços fixos e tudo é ajustado de acordo com a vontade do cliente.

Food is the new black. E as marcas mais conceituadas sabem disso.

A implementação de zonas de restauração em espaços de moda permite a associação desses sítios a novas sensações e experiências, gerando recordações positivas sobre a marca.

 

©   Jantares da Lua na Coração Alecrim e Mondo Deli

 

O restaurante Size, no ultimo piso dos armazéns da Marques Soares, é outro exemplo da necessidade numa aposta mais variada e qualitativa - uma estratégia eficaz para manter e trazer novos clientes.

Numa altura em que os números de compras online continuam a aumentar, a inovação chega a ser primordial para uma geração que gosta de se vestir bem, comer fora e partilhá-lo exaustivamente nas redes sociais. Estes non-restaurants quebram barreiras entre a gastronomia e o resto da cidade e não é difícil perceber o motivo de estarem a conquistar cada vez mais adeptos.