Moda x Realidade Virtual

Bem-vindos ao Futuro

Texto por Eliana Macedo - PFM Team
Opinião Think Piece
Quarta, 31 de Agosto de 2016, 13:54h

Imagina um mundo em que podes assistir ao processo criativo da tua marca favorita, aceder ao backstage, aos desfiles e até mesmo experimentar as peças. Agora, imagina que tudo isto é possível a partir do conforto da tua casa.

Não, não estamos a sonhar alto no Porto Fashion Makers. Apenas demasiado entusiasmadas com as potencialidades que as novas tecnologias, como a realidade virtual, estão a oferecer à moda.

Mas vamos por partes.

 

© Future Fashion, Westefield

 

Não há uma forma fácil de explicar a realidade virtual a quem nunca a experienciou. Colocas um dispositivo estranho na tua cara e simultaneamente dás por ti a entrar numa fascinante nova realidade, onde tudo é possível.

Tudo começou em 2012, quando o protótipo do headset Oculus Rift foi desenvolvido, após angariar 2,4 milhões de dólares na plataforma de financiamento coletivo Kickstater. O dispositivo foi apresentado como ‘o primeiro headset totalmente imersivo para vídeo jogos’, mas rapidamente foi adaptado a outras funcionalidades.

Não podemos, no entanto, referir-nos à tecnologia como totalmente inovadora. As suas origens remetem a invenções como o Sensorama do cineasta Morton Heilig (1950) ou, mais recentemente, aos VR glasses da Sega (1993) e ao Virtual Boy da Nintendo (1995). A diferença é que agora processadores mais rápidos, monitores mais nítidos e sensores de rastreamento mais precisos, permitem o seu constante aperfeiçoamento.

 

© Topshop

 

Para quem não está familiarizado com a tecnologia, a realidade virtual oferece uma sensação de imersão num mundo tridimensional, utilizando um computador, consola ou smartphone e um headset que segura o dispositivo na frente dos olhos. Quanto mais completo for o dispositivo utilizado, maior é o sentido de presença do utilizador. A par do Oculus Rift, existem, atualmente, no mercado o Samsung Gear VR, o HTC Vive, o Sony Playstation VR, o Google Cardboard, o Microsoft HoloLens e o Meta 2.

Pioneira na adopção da tecnologia, a Topshop lançou um concurso, em 2014, permitindo a seis vencedores assistir, em tempo real, ao desfile da marca na London Fashion Week. A experiência aconteceu na loja de Oxford Street, através do dispositivo Oculus Rift.

A Tommy Hilfiger seguiu o exemplo e, no ano seguinte, utilizou o Samsung Gear Vr para transportar um grupo de convidados da 5ª Avenida para a passerele. O mesmo aconteceu com a Rebecca Minkoff, logo após lançar uma versão fashionista do Google Cardboard. No verão do mesmo ano, a Dior lançou o Dior Eyes.

 

© Ida Klamborn

 

Estas primeiras experiências foram limitadas a apenas alguns consumidores, mas prevê-se que o acesso seja rapidamente democratizado. Em Fevereiro deste ano, no decorrer da Stockholm Fashion Week, a designer sueca Ida Klamborn possibilitou isso mesmo. Três robots sentados na primeira fila do evento, filmaram e emitiram em direto a apresentação da coleção para todos utilizadores do Google Cardboard.

Apesar do interesse da industria da moda em integrar a realidade virtual estar nitidamente a crescer, esta relação ainda não é expressiva na industria nacional. Mesmo num panorama internacional, estes exemplos são apenas o início, uma vez que as possibilidades vão muito para além dos desfiles de moda.

Se, por um lado, a tecnologia está longe da perfeição, por outro, as marcas ainda estão a aprender como podem tirar partido da realidade virtual para melhorar a experiência do consumidor.

 

© Desfile Jason Wu na NYFW 

 

Num futuro próximo, espera-se que as marcas criem serviços e conteúdos exclusivos para este media, como eventos interativos que permitem uma sensação total de presença, lojas virtuais que possibilitam ao consumidor comprar a partir de qualquer local, ou avatares 3D para os quais serão criados guarda-roupas virtuais.

Na imprevisível união de forças entre a moda e a realidade virtual, difícil será mesmo traçar o limite.