Moda & Tecnologia

Novos desafios para uma nova era

Texto por Inês Graça - PFM Team
Opinião Think Piece
Quinta, 24 de Novembro de 2016, 13:37h

Se há certeza que a moda tem vindo a provar, é que não há modelos de negócio universais. A emergência do mercado criativo na era tecnológica põe em causa as técnicas tradicionais, desafiando as marcas para um contexto cada vez mais ágil, imediato, colaborativo e sustentável. Acima de tudo, o cliente parece tornar-se no principal protagonista – gera conteúdos, é designer e torna-se provavelmente na melhor forma de publicidade.

Esta contaminação do setor levou a que, pela 3ª vez, o Congresso Internacional de Negócios de Moda reunisse no Porto, de 17 a 19 de Outubro, empresários e empreendedores para debater as novas linguagens no mundo da moda. O evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Moda trouxe poucas respostas definitivas – acima de tudo, há questões a por em cima da mesa quando se fala numa quarta Revolução Industrial, tão fast quanto imprevisível.

A P&R Têxteis, sediada em Barcelos, tem vindo a dar cartas na área do vestuário desportivo de alta tecnologia. A empresa apresentada por Hélder Rosendo já produz camisolas com uma malha técnica de alta performance, que permite obter resultados mais leves, confortáveis, com propriedades antibacterianas e que controlam a humidade do corpo.

 

© Ani Oksana

E se a colaboração entre moda e ciência parece ganhar cada vez mais protagonismo, a co-criação também se tem vindo a destacar, encorajando cada vez mais o consumidor a desempenhar um papel ativo na construção da marca. A plataforma online de vestuário Away to Mars permite a criação de peças de roupa com o apoio de uma comunidade mundial. Através do crowdfunding, as peças são produzidas e os lucros divididos entre todos os que participaram na criação do produto final. Mas há mais exemplos: a Descience é um projeto de Yuly Fuentes-Medel que alia o conhecimento científico à criatividade dos designers, criando peças únicas e inovadoras.

A metáfora apresentada por Daniel Agis, onde mostra as duas partes de um iceberg, veio simplificar a importância do impacto das novas tecnologias. “Aquilo que está à superfície das empresas, a sua capacidade de adaptação e de processamento da informação, não é nada sem a capacidade destas em gerar emoções e  criar novos modelos de negócio”.

Susana Barros, Business Developer Sports & Fashion na Sonae, acrescenta que a construção de um omnicanal na empresa tem possibilitado uma melhor experiência ao serviço do cliente. A capacidade de juntar toda a informação sobre os consumidores – seja ela proveniente de call centers, da loja online ou das redes sociais – é já uma oportunidade mas também um dos principais desafios a ultrapassar. Recentemente a empresa adoptou o RFID, um software que permite optimizar a gestão dos stocks e rastrear rapidamente a informação através de pequenas etiquetas nos produtos. Um avanço tecnológico que chega a reduzir cerca de 90% do tempo na realização dos inventários.

 

© Dconcept

Mas não é só nos sistemas de operação que a tecnologia tem vindo a ganhar terreno. A força das novas tecnologias alastra-se à velocidade da luz, e a forma como se comunica chega a ter mais força do que aquilo que se comunica. O poder está no serviço, deixando para segundo plano o conteúdo, o que leva a gigantes como a Uber, Airbnb e Facebook a tornarem-se verdadeiros líderes mundiais no sector em que atuam.

Uma das grandes apostas da Parfois nos últimos anos está relacionada com a organização de eventos com bloggers, oferecendo-lhes atividades que vão muito para além do seu core business. Uma estratégia pertinente quando se trata de uma geração que gosta de partilhar exaustivamente tudo aquilo que está a acontecer à sua volta. Esta adaptação aos meios digitais torna-se fundamental no posicionamento das marcas e o mesmo foi reconhecido por Ana Campos, diretora de moda da Vogue, que confirma o importância do crescimento do segmento online da revista.

Neste contexto, o Porto Fashion Makers foi também uma das plataformas abordadas durante o Congresso, pela comunidade criativa que alberga e pela potencialidade da rede que já constitui.

 

© Porto Fashion Makers

Numa era de over-choice, onde o ritmo das novas coleções está mais acelerado que nunca, conhecer o público da marca torna-se no ponto de partida para o crescimento de qualquer negócio. O engagement, a customização e a rapidez são cruciais para um consumidor cada vez mais informado e sustentável e, por isso, não é de admirar, que a moda estará sempre fora de moda.